Publicidade

Em áudio, Vorcado diz que liberou, “por fora”, dinheiro para filme de Lula por negócios no governo, diz Folha

Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirma ter liberado recursos para uma produção sobre o presidente em meio a negociações envolvendo o ex-tesoureiro do PT e o ministro Alexandre Padilha

09/10/2026 às 12h02 Atualizada em 09/10/2026 às 13h43
Por: Redação VOX
Compartilhe:
Ricardo Stuckert
Ricardo Stuckert

Uma nova revelação envolvendo o universo financeiro e o Planalto veio à tona nesta semana. Em áudios e documentos obtidos pela revista Veja, o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, conta que pagou dinheiro para a produção de um filme sobre o presidente Lula. O relato aparece em meio a um esquema que, segundo ele, envolvia o ex-tesoureiro do PT João Vaccari e o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha.

Nas gravações, Vorcaro detalha a operação. Ele afirma que o Banco do Brasil foi estruturado em parceria com Vaccari, com o executivo Augusto Lima adiantando valores para Paulo Okamotto, ligado ao Instituto Lula. Sobre o filme, o banqueiro diz ter colocado ainda mais dinheiro do que em outra empreitada, mas reconhece que, no caso da produção sobre o presidente, o pagamento foi feito "por fora" — o que ele mesmo classifica como "errado". Já um projeto ligado ao senador Flávio Bolsonaro, segundo ele, teria seguido o caminho de um patrocínio normal.

A trama, conforme a apuração, girava em torno de uma ambição maior: captar recursos de fundos de pensão de estatais, como Previ e Postalis. O contato de Vorcaro com os presidentes desses fundos passava por um operador petista identificado apenas como "Júlio", que teria livre acesso ao gabinete de Padilha no Planalto. Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular do banqueiro reforçam essa ligação, mostrando que Júlio o apresentou a Olavo Noleto, braço direito do ministro.

A aproximação chamou a atenção até de Walfrido dos Mares Guia, ex-ministro de Lula e parceiro de negócios de Vorcaro. Em uma conversa, Mares Guia comemorou: "Olavo me enviou mensagem falando que gostou muito de você". Na sequência, o banqueiro conta que foi pessoalmente ao Planalto conhecer Padilha e participou de pelo menos dois jantares com o ministro enquanto tentava colocar o esquema em prática.

A pressa para fechar os negócios era evidente. Em abril de 2024, Vorcaro cobrava o contato com a cúpula do fundo Petros, e Júlio respondia que já havia repassado a demanda a Noleto. Apesar de todo o esforço, o banqueiro relatou ter conseguido captar recursos apenas em fundos municipais, seguindo a mesma lógica de pagamento de 10%, o que teria rendido pelo menos 6 milhões de reais ao ministro e seus operadores.

Com o tempo, a parceria teria rendido créditos no Planalto, a ponto de Padilha e seu secretário-executivo atuarem para que Lula recebesse o banqueiro. Em outubro de 2024, Vorcaro deu um segundo jantar para Padilha e seus aliados em Brasília. Ainda assim, não há qualquer prova de que o encontro com o presidente tenha realmente ocorrido.

A paciência de Vorcaro, porém, se esgotou. Já em meados de 2025, com a crise do Master se agravando e sem sucesso na empreitada, ele cobrava o operador: "Estamos já há mais de 12 meses tentando uma boleta. Não dá pra mobilizar a equipe para novos temas sem concluir nenhum". O operador atribuiu as dificuldades às "fake news" sobre as fraudes do banco.

Procurados, os citados negaram as acusações. Lula afirmou que "jamais solicitou ou recebeu qualquer vantagem financeira nem autorizou terceiros a receber recursos de Vorcaro em seu nome". Noleto disse não ter relação com o banqueiro, e Padilha também negou qualquer vínculo.

Segundo o banqueiro, ele chegou a oferecer uma extensa lista de provas — conversas de WhatsApp, registros de entrada no Planalto, e-mails, atas de reuniões nos fundos e comprovantes de pagamento —, mas as autoridades teriam descartado o material, incluindo o que revelava pagamentos ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e a integrantes do Judiciário.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários