
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou na noite deste domingo (25) que não reconhece o resultado do segundo turno da eleição presidencial e que ingressará com pedido de anulação do pleito. A manifestação ocorreu após a confirmação da vitória de Lula, com 51,78% dos votos válidos contra 48,22% do candidato derrotado, em apuração praticamente concluída — 99,99% das urnas.
Em pronunciamento, o candidato do PL atribuiu o desfecho a uma decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), tomada ao longo do dia. Segundo ele, o que ocorreu não foi algo normal, e sim inaceitável, sustentando que teria havido mudança das regras do jogo por decisão judicial. A fala foi acompanhada do anúncio de que a campanha buscará a via judicial para contestar o resultado.
A eleição foi marcada por uma reviravolta pouco comum na história recente do país. A apuração registrou duas viradas ao longo da noite, e Lula terminou com cerca de 64 milhões de votos, contra 59 milhões do adversário — um acréscimo de quase 11 milhões de sufrágios em relação ao primeiro turno. A geografia do voto ficou dividida: o candidato do PL foi o mais votado em 2.247 municípios, enquanto Lula liderou em 1.957 cidades, com vantagem em 12 capitais contra 14 do oponente.
O comparecimento também chamou atenção. A abstenção recuou de 21,08% para 19,21%, o menor patamar em uma eleição presidencial desde 2006 — indicativo de mobilização acima do padrão em um segundo turno.
Do lado institucional, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, confirmou o resultado e afirmou ter conversado tanto com Lula quanto com Flávio Bolsonaro. A Justiça Eleitoral também divulgou a cronologia dos pedidos de prorrogação do horário de votação, tema que deve ocupar o centro da contestação apresentada pela campanha derrotada.