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Servidores da educação de Ipatinga estão sem receber férias, verbas indenizatórias e retroativos

Sindiute Ipatinga cobra esclarecimentos da prefeitura e aponta falta de transparência e planejamento na gestão do pagamento

12/10/2026 às 13h52
Por: Marcelo Augusto
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Marcelo Augusto / VOX
Marcelo Augusto / VOX

Os servidores da educação de Ipatinga estão sem receber as férias, as verbas indenizatórias e os retroativos do reajuste de 2026, situação que o Sindiute Ipatinga, representado por Cíntia Rodrigues, levou à prefeitura em um ofício protocolado e que, até agora, não obteve resposta. Segundo a sindicalista, o atraso atinge o serviço público de modo geral, mas se agrava na educação, onde, no último mês, os servidores não receberam as férias.

A instabilidade no pagamento, conforme relatou Cíntia em entrevista aos canais Vox, não é novidade para os trabalhadores, mas chegou ao ponto de se transformar em não recebimento de direitos trabalhistas básicos. Além das férias atrasadas, há casos de servidores que acumulam horas extras sem recebimento e de contratados que, ao reincidirem o contrato, têm direito a verbas indenizatórias, como férias proporcionais, décimo terceiro e a própria rescisão, e não recebem há mais de dois meses.

A sindicalista explicou que alguns contratados chegam a fazer troca de matrícula porque o contrato termina, permanecem trabalhando, mas a prefeitura não paga a rescisão. Ela também citou o reajuste da educação de 2026, cujo retroativo é devido aos servidores porque a data base da categoria é janeiro, e afirmou que muitos contratados não receberam o valor justamente por causa da troca de matrícula e da rescisão de contrato.

Sobre esse ponto, Cíntia relatou que a própria prefeitura orientou, em mesa de negociação, que os servidores abrissem requerimento para receber o valor. Eles abriram, mas não recebem sequer resposta da administração. "Esses servidores abriram esse requerimento há mais de 90 dias e não recebem respostas", disse.

A insegurança, segundo ela, se estende também à previsibilidade do pagamento. Os servidores recebiam no último dia útil do mês, o governo passou a data para o dia 1º e, agora, nem o dia 1º é mais garantido. Cíntia reconheceu que a prefeitura alega poder pagar até o quinto dia útil dentro da legalidade, mas destacou o impacto sobre o planejamento familiar e os compromissos financeiros das pessoas.

Diante do quadro, o Sindiute Ipatinga protocolou um ofício solicitando esclarecimentos e a regularização dos pagamentos. A sindicalista questionou a situação de uma prefeitura de grande porte, com orçamento entre os cem maiores do país, e apontou dois problemas graves de gestão: falta de transparência e falta de planejamento. "O pagamento não muda. Todos os meses tem pagamento de servidores, tem servidores que vão receber férias naquele mês. Então, tudo é uma questão de planejamento", afirmou, lembrando que a prefeitura dispõe de lei orçamentária e de execução orçamentária ao longo do ano.

Cíntia descreveu o atraso como um transtorno de efeito dominó, porque é dinheiro que deixa de circular na cidade e compromete a sobrevivência das pessoas naquilo que é mais básico, o fruto do próprio trabalho.

Sobre a possibilidade de greve ainda neste ano, a sindicalista afirmou que o sindicato tenta, primeiro, abrir o diálogo com a prefeitura. O ofício já foi protocolado e membros do governo foram procurados, mas ninguém apresenta respostas. Oficialmente, não houve nenhum retorno. Enquanto isso, o sindicato conversa com os servidores, acompanha a categoria e mantém o departamento jurídico acionado, caso seja necessário. "A gente tenta resolver de maneira mais ágil, mais rápida e dialogada para que a gente resolva o problema primeiro", disse.

Cíntia também relatou o receio dos servidores diante dos dois anos restantes do governo Gustavo Nunes. Ela afirmou que esse é um sentimento geral na educação, que vem de um acúmulo de situações que geram insegurança, citando um governo que, na avaliação dela, não cumpre a legislação remuneratória, não cumpre o piso do magistério, paga os piores salários da região para os profissionais da educação e agiu com truculência em momentos em que a categoria se organizou para reivindicar direitos.

A sindicalista mencionou ainda a notícia, amplamente divulgada na cidade, de que a prefeitura supostamente decretaria calamidade financeira, sem que a administração se posicionasse para confirmar ou negar. Esse cenário, somado à instabilidade e ao não pagamento de direitos trabalhistas básicos, gera uma sensação de insegurança muito grande entre os servidores, com reflexos que ela apontou nas escolas, onde falta profissionais e a situação ainda não foi totalmente resolvida. Foi realizado um concurso, e o sindicato aguarda para ver se a prefeitura vai nomear os aprovados.

A prefeitura de Ipatinga não respondeu aos questionamentos dos Canais VOX.

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Ipatinga - MG
Sobre o município
Ipatinga é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no Vale do Rio Doce e pertence à Região Metropolitana do Vale do Aço, estando situado a cerca de 210 km a leste da capital do estado.
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