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No Dia de Finados, pessoas revelam sobre o amor e os bons exemplos que nem a morte apaga

Mais do que a saudade, valores, exemplos e histórias de vida permanecem na memória e continuam orientando os caminhos daqueles que ficaram

02/11/2026 às 16h25
Por: Janaína Oliveira
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A gratidão e o amor pelos que se foram é registrada em mensagens nas lápides/ Janaína Oliveira
A gratidão e o amor pelos que se foram é registrada em mensagens nas lápides/ Janaína Oliveira

O Dia de Finados, celebrado neste 2 de novembro, é tradicionalmente marcado por homenagens, orações e visitas aos cemitérios. É uma data em que familiares e amigos se aproximam das lembranças de quem já partiu, revivendo histórias e sentimentos que permanecem vivos mesmo diante da ausência física.

Porém, para além da saudade, a ocasião também convida a uma reflexão sobre as heranças que essas pessoas deixaram e sobre como seus ensinamentos continuam presentes na vida daqueles que tiveram a oportunidade de conviver com elas.

Neste Dia de Finados, a saudade ganha espaço, mas não precisa ser a única protagonista. Entre as homenagens e as lembranças, existe também a oportunidade de agradecer pelo que foi vivido e aprendido. Afinal, algumas presenças continuam sendo sentidas nos gestos, nas escolhas, nos valores e nas histórias que seguem sendo contadas.

No Cemitério de Nova Era, a movimentação de pessoas que foram prestar homenagens aos entes queridos também foi marcada por gestos de gratidão e reconhecimento. Entre flores, orações e recordações, histórias de vida revelaram que algumas das maiores heranças não estão relacionadas a bens materiais, mas aos valores transmitidos, aos exemplos compartilhados e às lições aprendidas ao longo da convivência.

Para a artesã Priscila Drumond, a data foi uma oportunidade de recordar a mãe, o pai, as avós e a madrinha, pessoas que tiveram papel fundamental em sua formação. Ela destaca especialmente a influência da mãe e da madrinha, mulheres que considera à frente de seu tempo, empreendedoras e inspirações permanentes em sua trajetória “Grande parte do que eu sei, aprendi com elas. Mais do que técnicas de artesanato, recebi ensinamentos sobre criatividade, independência e perseverança. Aprendi a aproveitar os recursos disponíveis, empreender mesmo com pouco e, principalmente, não desistir diante das dificuldades”, revela Priscila.

Os bons exemplos também são lembrados por familiares que reconhecem na trajetória dos antepassados uma referência para a própria vida. Ao falar sobre a mãe, Nilton Santos destacou a importância dela não somente para a família, mas para a comunidade católica de Nova Era. “Minha mãe, que todos conheciam como “Dona Mariazinha”, deixou um ensinamento de muita fé para todos nós.  Ela foi um exemplo de pessoa tão significativo que eu ficaria satisfeito se conseguisse realizar pelo menos metade de tudo que ela realizou pela nossa família”, disse o aposentado.

A união familiar e o amor também aparecem entre as heranças mais valorizadas. Dona Laurinda Vitorino, que atualmente mora em Luz, voltou a Nova Era para visitar o túmulo dos pais e recordar os ensinamentos recebidos. Ela destaca que a convivência, o carinho e a união entre os irmãos foram algumas das maiores lições deixadas pelos pais. “Esses valores permanecem vivos e ajudam a manter a nossa família unida até hoje”, conta.

Ao recordar também os avós, Laurinda ressalta a importância de dar continuidade ao legado recebido. Para ela, a melhor maneira de honrar a história de quem partiu é seguir colocando em prática os ensinamentos aprendidos e construir uma trajetória que represente com orgulho tudo aquilo que foi transmitido entre as gerações.

Na perspectiva religiosa, o Dia de Finados também pode ser vivido para além da tristeza provocada pela despedida. O padre Flávio Motta lembra que a data é um momento de memória, mas também de esperança, especialmente para os cristãos, que encontram na ressurreição de Cristo a promessa da vida eterna.

Segundo o sacerdote, a separação causada pela morte naturalmente desperta sentimentos de tristeza e saudade, no entanto, a lembrança daqueles que partiram também pode ser acompanhada pela alegria de reconhecer tudo de bom que essas pessoas fizeram e construíram durante a vida. “A fé na ressurreição convida os cristãos a olhar para a morte não apenas como um momento de despedida, mas também sob a perspectiva da esperança. Essa reflexão amplia o significado da data. Recordar quem já se foi é também reconhecer a importância de sua passagem pela vida daqueles que ficaram”, fala o padre.

Embora a vida de pessoas a quem amamos tenha chegado ao fim, aquilo que essas pessoas nos ensinaram não precisa terminar com elas. A herança mais significativa talvez seja justamente essa: continuar levando adiante, por meio das próprias atitudes, um pouco de tudo aquilo que recebemos de quem um dia caminhou ao nosso lado.

 

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